13 outubro 2011

Aquele que sobrou


Não estou defendendo. Apenas expondo fatos. Dito isso, resolvi escrever sobre Rafinha Bastos. Antes um breve relato sobre nós dois. E, não, ele não me conhece.

Quando entrei no twitter (2009) era o início do cqc e a febre dos cqc’s maníacos. Fiz o meu perfil e sem saber direito como aquilo funcionava, comecei a seguir todos os caras descolados do cqc, eu os achava engraçados e achava o programa inovador e chocante pela sua proposta.

Por isso, era seguidora fiel e ria de suas piadas. Até que chegou ao ponto de as piadas já não terem mais tanta graça assim. A partir do momento que o desconforto ficou maior que a graça da piada, minha consciência me alertou.

E, o exato momento foi quando li em uma entrevista para a Rolling Stone, o Rafinha dizendo que uma mulher feia que fosse estuprada deveria agradecer, pois só assim iria conseguir... Nunca fui estuprada, mas não posso rir de uma “piada” tão ridícula e ignorante. Sou incapaz de aceitar que seja uma “piada” e pior ainda, de aceitar que pessoas conseguem rir disso no seu show.

Só de parar pra pensar do horror que é um estupro, porque acaba com a vida da vitima (quem apaga essas marcas?), porque destrói vidas, lares e famílias. Porque é um crime de horror e cruel.  E, meu Deus, é impossível aceitar que façam uma piada de tamanho mau gosto com um fato que definitivamente não é engraçado.

Isso não é humor. Isso é crueldade.


A partir desse momento, ele perdeu todas as fichas comigo. É claro que já não o sigo mais no twitter (ele e a maioria dos cqc’s, mas isso aqui não é trollagem oficial). E, já não assisto tanto o programa, mas porque já não o acho mais tão legal assim.

O que mais me irritou em toda essa história é o cara falar a piada que quiser em um programa ao vivo e no teatro no seu stand up mas, só quando fala de uma cantora que é casada com um empresário e amigo de Ronaldo é que o cara é repreendido. Ora, vá!

O cara disse coisa pior antes e deveria ter sido repreendido por isso lá. Agora, ele está se tornando uma vitima, porque há uma mobilização a favor dele. Gente que quer crucificar a band por não ter feito nada contra o Boris Casoy e o caso dos garis e que fez agora com o Rafinha.

Sério que o Ronaldo tem tanto peso assim de decisão na band? Foi só ele falar que não aprovava (quase 10 dias depois do ocorrido) que o Marco Luque (que riu da piada ao vivo) fez uma declaração de que não achava graça nessa piada. E, foi só aí que a band o suspendeu.

O que declararam os patrocinadores?

Depois de duas semanas suspenso e uma matéria cortada, Rafinha pediu demissão da band, demissão essa que ainda não foi aceita, pois a band não quer que ele vá pra concorrência. E, gosta de ter ele na casa. Entendeu alguma coisa?

Até agora, ele deu uma entrevista para o IG respondendo as perguntas com receita de bolo, remetendo à época da ditadura militar que, quando uma matéria era censurada, saia no jornal uma receita de bolo em forma de protesto. Ou seja, ele é o censurado, injustiçado e a band a vilã.

O que eu posso concluir é que o maior erro dele foi ter feito piada com o famoso errado. Pois, se fazer piada de estupro pode e, dizer que a mulher é gostosa a ponto de “comer ela e o bebê” não pode, eu não entendo mais nada.

12 outubro 2011

Dia de?

Eu estava lá. Sim, eu vi ao vivo no multishow o momento da entrevista com a Cristiane Torloni. Ela estava cômica. O jeito que ela fala é muito pausado e devagar. Eu ri na hora.


O slogan do Rock in Rio desse ano foi “Hoje é dia de Rock, bebê” graças a ela. Na internet, virou uma febre. Assim que o vídeo foi para o youtube, incontáveis perfis o compartilharam no facebook e no twitter só se falava disso. Portais de notícias também.


No dia seguinte, a assessoria da atriz disse que ela é daquele jeito e que é budista, por isso a forma de falar. E, que não daria mais entrevistas durante todo o Rock in Rio.

Não lembro se para ser budista tem que falar daquele jeito (help me Google), mas o que mais me intrigou nessa história foi que se a resposta da assessoria é de que ela é daquele jeito porque é budista, porque não dar outras entrevistas então? Porque a vergonha de ser o que é?


O público (eu inclusive) está acostumado a vê-la em novelas, seja como Helena de Manoel Carlos ou a atual Tereza Cristina de Aguinaldo. Não conhecemos a Cristiane. E, quando pudemos conhecer (e estranharmos um pouco, é verdade), ela se fechou e não vai dar entrevistas.


Acho estranho isso.


Ps: Esse post demorou mais que o esperado, mas enfim, vai ter outro post que remete ao Rock in Rio por ai...

Quando a chuva passar...


Ontem (11/10/11) Belo Horizonte foi inundada por um temporal. Choveu o equivalente a 10 dias do esperado em outubro, dizem.

Choveu tanto que inundaram algumas ruas da cidade, árvores caíram e por conseqüência, fios elétricos se romperam. No BH Shopping, parte do teto de gesso caiu em cima das pessoas (ninguém se feriu gravemente, ainda bem). Mortes? Uma. Um motociclista foi eletrocutado por um cabo de energia partido.

Mas o objetivo desse texto é que quando eu abri o facebook e o twitter, li vários perfis xingando a Cemig (Cia de energia elétrica de Minas) porque a luz tinha acabado. E, eu fiquei revoltada com esses xingamentos. Poxa, ruas inundaram, fios de luz arrebentaram, teto de shopping cai, telhados foram arrancados, granizo caindo e gente começa a xingar a Cemig porque a luz acabou?

Porra, gente.

É óbvio que iria acabar. Acabou na minha casa, no meu trabalho, nos shoppings, no trabalho da minha mãe, em todo o centro da cidade. Aliás, onde não acabou a luz?
Acho que devíamos nos acalmar com essas situações. A luz acabou porque o mundo quase acabou em Belo Horizonte.

Daqui a pouco começam a fazer evento no facebook contra a Cemig. E, a Cemig faz contra São Pedro, não é?!. Vamos pensar na pessoa que morreu e nos tantos que ficaram alagados. Ou até nos tantos que tiveram seus carros quebrados e amassados por árvores. Ou nos tantos que ficaram horas esperando ônibus que não passavam porque o trânsito ficou caótico.

É claro que a luz iria acabar. E, é lógico que ela tem que voltar. Mas, temos que ser menos irracionais quando essas coisas acontecem. Escrever no facebook um post xingando a Cemig só pra ganhar alguns likes e para as pessoas te acharam cool e revolucionário é demais.

09 outubro 2011

iSad

Sempre tive meus receios sobre o iPhone. Sempre achei que não tinha a destreza suficiente para mexer numa tela totalmente Touch. Até eu ver esse vídeo aqui: Apresentação do primeiro iPhone e me sentir uma completa idiota por usar um teclado Qwerty. E, me sentir uma completa idiota por ainda não ter um iPhone.

Sério, Steve Jobs vendia a marca, a idealização da marca, o status dela. Mas, vendia. E, me convenceu em ter um aparelho dele só na apresentação, sem eu nem saber o preço (no Brasil é o olho da cara, né). Só tenho (por enquanto) um produto da Apple, um iPod shuffle adquirido esse ano pela minha necessidade de escutar música.

Quando o aparelho chegou, eu percebi que não tinha comprado simplesmente um tocador de música. Eu comprei todo um conceito da Apple para a música. Porque ele vem em uma caixa branca toda cheia de estilo com a maça mordida, que eu não tenho coragem de jogar fora (ela guarda o USB do tocador, vai). Mas com ela deu pra entender um pouco mais sobre o Apple maníacos.

Tenho dois irmãos que tem o iPad, tenho uma amiga que tem o Mac e o iPod touch e o pai dela tem o Mac e o iPhone. E, são pessoas que não se arrependem do preço que pagaram pelos produtos. São satisfeitas com o que compraram.

Quem compra Apple, compra a marca, o conceito, a idéia, a tecnologia, o pioneirismo, a qualidade.

Não sei o que vai acontecer com a Apple agora que o Steve Jobs morreu. Sei que perdemos um visionário. Alguém definitivamente além do seu tempo. Sofreu por um câncer no pâncreas, precisou de um transplante no fígado, mas continuou lá. Trabalhando e nunca deixando se abater. Percebemos em uma rápida visita ao Google o quanto Steve emagreceu nos últimos anos.

Percebi o quanto ele estava lúcido e esclarecido sobre a vida quando vi o vídeo dele em Stanford. E, com três frases do discurso, encerro meu post-homenagem a ele. Que vá em paz.

“Lembrar que em breve estarei morto é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar as grandes decisões da minha vida.”

“Lembrar que se vai morrer é a melhor forma que eu conheço de evitar a armadilha de pensar que se tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração.”

“A morte é provavelmente a melhor invenção da vida. É o agente de mudança da vida. Ela tira o velho do caminho para dar espaço ao novo.”