18 janeiro 2010

Los Abrazos Rotos




Fui assistir ao filme "Abraços Partidos" do Almodóvar sem grandes expectativas. Acho que porque eu gostei muito de "Volver" e "Fale com Ela" e que "Mulheres à beira de um ataque de nervos" tenha me apresentado ao meu "cinema novo". Por isso, não gosto de criar expectativas quanto ao próximo filme, o medo delas não se concretizarem é grande.
Bom, como estou aqui escrevendo um post sobre o filme, no mínimo eu gostei. E, foi isso mesmo!

O filme se passa em torno da vida de um homem (vivido por Lluís Homar) e sua história de vida. O cara era diretor e roteirista de cinema e o maior pegador de mulheres da Espanha, e até bem guapo quando jovem (Me lembrou o finado Patrick Swayze nos tempos de Gost...), até que se envolve com uma mulher casada e linda e ninguém menos que Penélope Cruz (Musa do Almodóvar) e que, por isso, tudo muda na vida de todos.

Penélope, em uma atuação mais uma vez sensual, vivendo a Mulher Fatal do filme (musa é pra isso mesmo), e claro nos mostrando que beleza é pra poucos na vida (e, a moça consegue ser bonita, viu!) , me cansa ao mostrar pela milésima vez na história do cinema os seios dela, acredito que já vi mais os dela do que os meus próprios. Faz parte do papel, dizem todos, mas creio que não precisava de mostrar no filme, sem mostrar não iria alterar o sentido da cena. Fazer o que, né?!

De qualquer forma, a história do escritor Harry Caine e/ou Mateo Blanco vivido por Homar é por vezes desfocada por Penélope. Mas, quando o personagem principal volta a ser o foco da história, passamos a entender as aventuras da sua vida e as dores do personagem. O texto de Almodóvar mantém a narrativa louca de sempre, histórias que se entrelaçam, notícias que chocam o espectador e que passam praticamente despercebida pelos personagens e discussões infundadas.

O filme é longo e poderia ser menor, a história demora muito a ser desenvolvida e compreendida e tem muitas voltas desnecessárias, mas... É Almodóvar e, ele é assim. Acostume-se ou não veja.

06 dezembro 2009

Continua lindo!

No início do ano, todos os jornalistas, torcedores e afins estavam desacreditados com o futebol carioca. É time na segunda divisão, dois quase caindo e um que não "fede nem cheira".

E não é que o mundo dá voltas mesmo?!

Pode se dizer que o estado do Rio hoje é o mais feliz do Brasil!!

Vasco voltando pra 1ª divisão e Botafogo e Flu escaparam do rebaixamento na última rodada!
O Flu simplesmente parou de perder. Fácil isso, não?! E, a torcida fez um show à parte, não abandonou o time em nenhum momento e apoiou lotando o Maracanã nos jogos e recebendo o time no aeroporto mesmo após a derrota pra LDU.
Mas, agora vamos ao campeão!
O Flamengo chegou desacreditado! Mesmo com Adriano e Pet, o máximo que o time iria conseguir era a Sulamericana! Isso se não fosse brigar pra não cair...
E, vejam só...
O time foi campeão do brasileirão 2009!!!

No balanço final do campeonato, Galo e Palmeiras tiveram a briga do título nas mãos e agora vão somente pra Sulamericana. Decepcionante.
São Paulo e Inter também tiveram chances do título e deixaram passar.
E, se isso pode ser chamado de "sorte de campeão", o Flamengo teve. Porque foi o campeonato que ninguém quis ganhar.
Bastava estar em 1º lugar, que o time perdia todos os jogos seguintes.
E, até na última rodada muito emocionante, o Inter foi pro vestiário depois do 1º tempo campeão porque o Flamengo estava sendo muito pressionado pelo Grêmio e não jogou bem. A torcida estava apreensiva e sentindo isso, tanto que só cantou o famoso "É campeão!" depois dos 42 do 2º tempo.
Mas, mesmo assim, o time está de parabéns!
Agora é overdose de hino, entrevistas e matérias na imprensa do Mengão!
É por isso que o Rio de Janeiro continua sendo.

PS: Lamentável a atitude dos torcedores do Coritiba no Couto Pereira. Devem ser banidos de todos os estádios do país. Não são torcedores. São babacas que só querem brigar. Vergonha.

09 novembro 2009

1989

Eu não estava lá.
Aliás, eu nunca estive lá.
Mas nem por isso me senti menos emocionada com essa data.
Não tenho um lado político, sou a favor da liberdade de ir e vir e contra qualquer tipo de opressão de governo. Acho que o Estado não deveria ter o poder sobre as pessoas dessa forma.
Na minha memória mais recente, o mais próximo que eu estive da DDR foi com o filme Adeus, Lênin! Que é um dos filmes mais bonitos que já vi, pela narrativa romântica, simples e bem feita.
Da parte ocidental, tenho a mais próxima referência na janela da minha casa.
Mas, o que interessa hoje é a queda do muro. Ou melhor, os 20 anos da queda do muro.
Porque o muro não separou somente país e cidade, separou famílias e todo o mundo.
Em um século XX recheado e movido por guerras e mortes trágicas, que na minha humilde e leiga opinião, levam nada a lugar nenhum, o muro foi construído para mostrar exatamente o que o mundo vivia na época: países querendo "dominar o mundo" e se matando, se territorializando e querendo tomar o poder a qualquer custo.
Não vou citar chefes de estado, presidentes ou qualquer um que tenha tentado em algum momento ser o presidente do mundo. Não quero citar, na verdade. Todos aprendemos em livros de história. Vá ler um pouco!
Eu me alonguei de novo e nada de muro...
Quando vejo as imagens de 20 anos atrás da população quebrando desesperadamente o muro, subindo, gritando e festejando com as pessoas do outro lado, sempre me leva a pensar na "ação coletiva".
No ideal para a população.
Sei lá...
Quando tem essa ação coletiva, sempre me emociono.
Ver que o mundo parou para ver o muro sendo quebrado, para ver a separação sendo acabada...
Em uma entrevista que vi agora na tv, um alemão diz: "Deixamos de ser Alemanha e viramos Europa!"
Isso, bem-vindo ao mundo!

Hoje, 20 anos depois, após me emocionar (de novo!!) com o show do U2, cantando One, vi em um gesto muito singelo uma da mais bonitas representações da queda do muro.
Foi a queda dos murinhos de isopor (dominós), desenhados por crianças, assistida ao vivo por milhares da população, com chuva e 5 graus congelantes.
Porque não há frio que cale a vontade de celebrar e gritar a Alemanha livre!

E eu, que não conheço, morri de vontade de estar lá hoje.
No frio, na chuva, mas ali, exatamente onde a história aconteceu e acontece.
Ali, onde é comemorado os 20 anos de liberdade.
Ali, eu e meu fusca rosa, feliz em sua terra-mãe.

08 novembro 2009

Aqui, nesse mundinho fechado.

Não são raras as vezes que eu sinto vergonha alheia.
E, essa história da aluna de vestido curto ir à Faculdade e ser "jurada de morte" lá dentro é ridículo.
Ridículo, ofensivo, infantil e de uma ignorância extrema!

Quem diria que, em pleno século XXI, no meu Brasil brasileiro teríamos esse tipo de preconceito em uma faculdade?

Lugar de conhecer pessoas diferentes, novas.
Lugar do livre pensar, do livre agir, do livre ser.
Lugar que você aprende a ser mais como você é e a importar menos com o que os outros são.

Quando eu fiz faculdade (saudades), eu lembro de ver tanta gente diferente, tinha mocinha de vestido e de shortinho, tinha mocinho de camiseta e boné e até de saia!
Sábado de manhã então! Parecia até clube! De havainas à micro-saias!
Se fosse moda esse preconceito todo, teríamos chacinas históricas na Puc!

Só tenho de sentir vergonha desses alunos de cabeça pequena e medíocres.
Não estão de forma alguma preparados para o mundo que os espera.
Não estão de forma alguma preparados para a vida.
Estão se fechando e se preparando para o mundinho deles, aquele bem pequenino e insignificante.
Áquele que pouco me importa.

Ps: Em tempo, a aluna que havia sido expulsa (!!!), agora não será mais. Tenho medo de pensar que ela queira voltar a estudar nesse lugar.